quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A F1 perdeu a graça?

REPRODUÇÃO


Um esporte que sempre achei besta é o automobilismo. Nem sei se isso pode ser chamado de esporte. Mesmo que exista uma exigência na destreza e na concentração, considero o automobilismo apenas uma competição. Está mais para um “esporte” corporativo. Sempre achei que um maratonista é muito mais atleta do que vários pilotos. Graças a Deus nunca me intoxiquei com a F1. Nunca vi graça em ficar mais de uma hora assistindo carros correndo. Sem contar o barulho. É tão empolgante quanto ver uma disputa entre Microsoft e Apple. Dá sono. No entanto, mesmo não curtindo, costumo me informar superficialmente sobre as equipes e os pilotos.

Nesta semana, o alemão Sebastian Vettel conquistou o seu bicampeonato com quatro corridas de antecedência. É o piloto mais jovem a ser bicampeão da Fórmula 1. Por causa disso, escutei muita gente dizendo que “isso não tem graça, a Fórmula 1 está chata, não tem a mesma emoção de outros tempos”.

Na época do também alemão Michael Schumacher os comentários eram os mesmos. Para os brasileiros a Fórmula 1 não tinha mais graça e o Schumacher não tinha concorrentes a altura, diferentemente de Ayrton Senna que disputava com vários rivais, como Allan Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet. A partir daí todo mundo já sabe. É comparação daqui, dali, acolá, quem é melhor, quem foi isso, quem foi aquilo e blábláblá.

Particularmente, acho difícil dizer qual foi o melhor piloto. Existiram grandes pilotos, em épocas muito diferentes, mas não devemos esquecer que o objetivo principal do automobilismo é medir a capacidade do carro. Qual carro é o melhor. Essa história de que piloto bom é aquele que ganha no braço é balela. Nenhum piloto foi campeão com um carro ruim, mas sim com um carro potente. 

Se eu fosse uma fanática por Fórmula 1 certamente estaria irritada com o nível dos comentaristas da categoria. Galvão Bueno e companhia sempre fazem comentários idiotas e que qualquer leigo poderia fazer: “Se chover é bom pro Rubinho!”. Caramba bicho, Rubinho é tão medíocre que precisa de uma ajudinha da natureza pra ganhar. O pior é que a maioria dos comentários gira em torno do clima, pouco se fala dos carros. Ninguém sabe dizer por que tal carro é melhor que o outro, o que ele tem de inteligente, como é a sua aerodinâmica e outros conceitos importantes da mecânica. Quem quiser estar por dentro do automobilismo tem que correr atrás de informações em sites especializados, principalmente de outros países. 

Tempos atrás, li num blog, não lembro qual, que o brasileiro só gosta mesmo de futebol. Os outros esportes só interessam se houver algum competidor brasileiro bom e com chances de ser campeão. E estou de acordo. Quando o Guga estava no auge, o Brasil era o país do tênis. Quando Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna estavam vencendo e a seleção brasileira não ganhava a Copa do Mundo, o Brasil era o país da Fórmula 1. E por aí vai.

O fato é que a Fórmula 1 continua sendo o que sempre foi. O que mudou é que desde a morte de Ayrton Senna, nenhum piloto brasileiro emplacou na categoria. A Rede Globo tentou a todo custo colocar o PODRE do Rubens Barrichello no status de ídolo e não conseguiu. A mesma coisa aconteceu com o molenga do Felipe Massa. A Fórmula 1 perdeu a graça para o brasileiro, pois os pilotos compatriotas pararam de ganhar. Por isso, acho que o brasileiro nunca gostou verdadeiramente de automobilismo. Será que os brasileiros achariam chato, caso os sete títulos do Schumacher fossem de um brasileiro? Será que achariam sem graça o título de Vettel com várias corridas de antecedência, caso ele tivesse nascido no Brasil? Hum, tenho certeza que não.

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